PROTEÇÃO CONTRA CHEIAS NA CIDADE DE TAVIRA COM PEQUENA BARRAGEM DE FINS MÚLTIPLOS
Nos anos 30 do século passado tiveram início as obras daquela que seria a primeira barragem do Algarve depois da época romana. No leito da ribeira do Alportel a 7 km de Tavira.
Dificuldades numa ensecadeira e a crise económica gerada pela guerra civil de Espanha interromperam os trabalhos.
Anos mais tarde a engenharia esteve focada, erradamente, na recuperação de sapais e foi a razão de se fazer então nos anos 50 a barragem da Bravura pensando nos campos do Alvor entre Lagos e Portimão.
O aproveitamento do Alportel foi nas primeiras décadas a seguir ao 25 de abril de 74 um desígnio do Município de S. Brás de Alportel, mais a montante, antes do fornecimento pela Águas do Algarve.
No princípio deste século por efeito das cheias de 1989 e de 2000, a Câmara de Tavira e o INAG (Instituto da Água) promoveram um estudo prévio da barragem e impacte ambiental publicado em 2009.
Temos bem presente a devastação da baixa da cidade em 1969 e em 1989 como em várias outras ocasiões, incluindo a destruição parcial da ponte dita romana. Com a subida no nível das águas do mar no contexto das alterações climáticas em curso, a situação a manter-se, tem condições para agravar o risco a cheias na baixa da cidade de Tavira.
Em junho passado a Resolução do Conselho de Ministros para os efeitos da seca aborda esta obra com múltiplos intuitos: armazenar água, criar um caudal ecológico e defender a cidade.
A Agência Portuguesa do Ambiente e a Associação de Regantes do Sotavento Algarvio firmaram um protocolo há poucas semanas com o apoio do Fundo Ambiental, com o objetivo de retomar a solução de controlo de cheias, integrando no atual contexto de escassez hídrica, o aproveitamento de água como reforço do sistema Odeleite-Beliche, para rega e abastecimento público.
Assim é hoje deliberado pela Direção da associação de regantes o lançamento do concurso para o projeto de uma obra que pode proteger a cidade das cheias, assegurando o caudal ecológico desde a Soalheira do Pereiro até S. Domingos (águas de maré), o aproveitamento da água para consumo humano e algum reforço do sistema de rega, sem aumento de áreas, mas para estabilizar reservas em tempos de seca.
Prevê-se um armazenamento de cerca de 10hm3 em ano médio num cenário de redução de precipitação e isto próximo da ETA de Tavira que fornece água tratada a todo o Sotavento do Algarve. E a 4,5 Kms do reservatório central de Santo Estêvão que abastece a agricultura também.
Com o concurso agora lançado, contamos dispor de projeto e estudo de impacte ambiental atualizado durante o segundo semestre de 2025. Em função das condições estudadas será depois realizado o projeto de execução.

Tavira, 14 de outubro de 2024
A Direção
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